{"id":3919,"date":"2015-02-11T15:38:51","date_gmt":"2015-02-11T18:38:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cenedcursos.com.br\/?p=3919"},"modified":"2024-06-21T15:22:59","modified_gmt":"2024-06-21T18:22:59","slug":"biodiversidade-planeta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cenedcursos.com.br\/meio-ambiente\/biodiversidade-planeta\/","title":{"rendered":"A Biodiversidade do Planeta"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A palavra biodiversidade \u00e9 um neologismo popularizado recentemente pelo cientista norte americano Edward O. Wilson, que a utiliza quando se refere \u00e0 diversidade biol\u00f3gica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 diferente da no\u00e7\u00e3o de diversidade utilizada nos estudos ecol\u00f3gicos: esta \u00faltima \u00e9 um \u00edndice num\u00e9rico que relaciona o n\u00famero de esp\u00e9cies de um ecossistema ao n\u00famero de indiv\u00edduos de cada uma destas esp\u00e9cies; como norma geral, trabalha-se com grupos concretos de organismos (especialmente plantas faner\u00f3gamas, animais vertebrados ou insetos), na inten\u00e7\u00e3o de se obter uma no\u00e7\u00e3o do grau de estrutura\u00e7\u00e3o, complexidade e maturidade do ecossistema em estudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A biodiversidade, por outro lado, faz refer\u00eancia a toda variedade de formas de vida, ou seja, engloba todas as esp\u00e9cies de organismos existentes (plantas, fungos, animais, bact\u00e9rias, etc.), n\u00e3o se ocupando, a princ\u00edpio, com a maior ou menor abund\u00e2ncia de indiv\u00edduos. A palavra diversidade ser\u00e1 utilizada neste texto como sin\u00f4nimo de biodiversidade e n\u00e3o como \u00edndice ecol\u00f3gico.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"13090\" data-permalink=\"https:\/\/cenedcursos.com.br\/meio-ambiente\/biodiversidade-planeta\/biodiversidade-do-planeta\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/cenedcursos.com.br\/meio-ambiente\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/biodiversidade-do-planeta.webp?fit=1200%2C800&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1200,800\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"biodiversidade do planeta\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/cenedcursos.com.br\/meio-ambiente\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/biodiversidade-do-planeta.webp?fit=300%2C200&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/cenedcursos.com.br\/meio-ambiente\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/biodiversidade-do-planeta.webp?fit=696%2C464&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-large wp-image-13090\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cenedcursos.com.br\/meio-ambiente\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/biodiversidade-do-planeta.webp?resize=696%2C464&#038;ssl=1\" alt=\"biodiversidade do planeta\" width=\"696\" height=\"464\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/cenedcursos.com.br\/meio-ambiente\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/biodiversidade-do-planeta.webp?resize=1024%2C683&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/cenedcursos.com.br\/meio-ambiente\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/biodiversidade-do-planeta.webp?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/cenedcursos.com.br\/meio-ambiente\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/biodiversidade-do-planeta.webp?resize=768%2C512&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/cenedcursos.com.br\/meio-ambiente\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/biodiversidade-do-planeta.webp?resize=696%2C464&amp;ssl=1 696w, https:\/\/i0.wp.com\/cenedcursos.com.br\/meio-ambiente\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/biodiversidade-do-planeta.webp?resize=1068%2C712&amp;ssl=1 1068w, https:\/\/i0.wp.com\/cenedcursos.com.br\/meio-ambiente\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/biodiversidade-do-planeta.webp?resize=630%2C420&amp;ssl=1 630w, https:\/\/i0.wp.com\/cenedcursos.com.br\/meio-ambiente\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/biodiversidade-do-planeta.webp?w=1200&amp;ssl=1 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 696px) 100vw, 696px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Brasil \u00e9 um dos campe\u00f5es de <a title=\"A biodiversidade da Amaz\u00f4nia\" href=\"http:\/\/www.cenedcursos.com.br\/a-biodiversidade-da-amaz.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Biodiversidade<\/a> mundial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A biodiversidade pode manifestar-se em escalas diferentes (como observado no esquema 1). Em escala decrescente aparece primeiro a biodiversidade ao n\u00edvel ecol\u00f3gico, refletida na variedade de ecossistemas e comunidades diferentes existentes sobre o planeta. A biodiversidade, em n\u00edvel espec\u00edfico, faz refer\u00eancia aos diferentes organismos que vivem em um determinado ecossistema: s\u00e3o os invent\u00e1rios de esp\u00e9cies. Finalmente, a biodiversidade em n\u00edvel gen\u00e9tico refere-se \u00e0 biodiversidade intra-espec\u00edfica, ou seja, \u00e0 variabilidade gen\u00e9tica dentro de uma mesma esp\u00e9cie; um exemplo claro deste \u00faltimo aspecto \u00e9 a pr\u00f3pria esp\u00e9cie humana, cuja variabilidade gen\u00e9tica tem permitido a adapta\u00e7\u00e3o em condi\u00e7\u00f5es de vida muito diferentes (desde os esquim\u00f3s at\u00e9 os bosqu\u00edmanos do deserto de Kalahari, passando pelos sherpas tibetanos aos qu\u00edchuas andinos). Esta variabilidade gen\u00e9tica constitui a biodiversidade gen\u00e9tica da esp\u00e9cie, fen\u00f4meno respons\u00e1vel pelo desenvolvimento da evolu\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O termo biodiversidade vem se popularizando recentemente, abrangendo os meios de comunica\u00e7\u00e3o especializados ou n\u00e3o. A partir da C\u00fapula da Terra do Rio de Janeiro em 1992, houve a aten\u00e7\u00e3o dos dirigentes pol\u00edticos do mundo, j\u00e1 que este foi um dos temas priorit\u00e1rios, levando-os a destinarem recursos financeiros importantes para seu estudo atrav\u00e9s dos mais prestigiosos centros de pesquisas e universidades do mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, qual o fator respons\u00e1vel por este espetacular &#8220;bom&#8221; da biodiversidade? As causas diretas devem encontram-se, basicamente, na preocupa\u00e7\u00e3o geral diante da publica\u00e7\u00e3o de cifras alarmantes sobre o atual ritmo de extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies de seres vivos. Em particular, no que se refere \u00e0s estimativas realizadas sobre a extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies em decorr\u00eancia do desaparecimento, em ritmo cada vez mais vertiginoso, das florestas tropicais. Esta id\u00e9ia ampliou-se mundialmente e hoje a preocupa\u00e7\u00e3o estende-se frente \u00e0 arriscada situa\u00e7\u00e3o na qual se encontram um grande n\u00famero de esp\u00e9cies, muitas delas desconhecidas, diante da r\u00e1pida transforma\u00e7\u00e3o dos ecossistemas pela atividade, direta ou indireta (como a mudan\u00e7a clim\u00e1tica global), da esp\u00e9cie humana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Destrui\u00e7\u00e3o da camada de oz\u00f4nio, chuva \u00e1cida, eros\u00e3o, polui\u00e7\u00e3o do ar, do solo e da \u00e1gua\u2026 Estes problemas, combinados com a press\u00e3o do crescimento populacional nos pa\u00edses em desenvolvimento e o consumo desenfreado nos pa\u00edses desenvolvidos, apresentam um cen\u00e1rio sombrio que amea\u00e7a atualmente a vida no planeta. No entanto, por mais s\u00e9rios que sejam, n\u00e3o se comparam ao efeito amplo e devastador que a destrui\u00e7\u00e3o em grande escala da biodiversidade tem sobre o meio ambiente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A destrui\u00e7\u00e3o da biodiversidade \u2013 ou seja, a perda das esp\u00e9cies existentes na Terra \u2013 n\u00e3o s\u00f3 causa o colapso dos ecossistemas e seus processos ecol\u00f3gicos, como \u00e9 irrevers\u00edvel. Nem a mais alta tecnologia, nem as descobertas biotecnol\u00f3gicas, nem as imagens computadorizadas ou a realidade virtual podem compensar o preju\u00edzo inigual\u00e1vel da extin\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies; certamente nada pode recuperar o que foi formado de forma t\u00e3o singular, ao longo de bilh\u00f5es de anos, na hist\u00f3ria evolutiva de nosso planeta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A import\u00e2ncia da conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade alcan\u00e7ou destaque mundial durante a ECO-92, a Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. Desde ent\u00e3o, foram consolidados fundos mundiais voltados especificamente para a conserva\u00e7\u00e3o e cresceram os investimentos de ag\u00eancias multilaterais e bilaterais de fomento, assim como os de funda\u00e7\u00f5es privadas ligadas ao meio ambiente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vale notar que o interesse e a consci\u00eancia sobre a import\u00e2ncia da biodiversidade tamb\u00e9m t\u00eam aumentado significativamente entre o setor privado, com um n\u00famero crescente de empresas que ap\u00f3iam projetos de conserva\u00e7\u00e3o em todo o mundo. Apesar desses avan\u00e7os, ainda h\u00e1 muito a ser feito, j\u00e1 que grande parte dos recursos humanos e financeiros destinados \u00e0 \u00e1rea n\u00e3o s\u00e3o utilizados de maneira eficaz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dessa forma, os grandes desafios s\u00e3o estabelecer prioridades claras para a\u00e7\u00f5es de conserva\u00e7\u00e3o e saber como investir os escassos recursos humanos e financeiros de maneira eficiente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Partimos de um problema inicial: a biodiversidade do planeta \u00e9 desconhecida, n\u00e3o existindo um invent\u00e1rio das esp\u00e9cies existentes na Terra. E isto n\u00e3o \u00e9 o pior. Nem sequer \u00e9 conhecido, tampouco de forma aproximada, o n\u00famero de esp\u00e9cies que vivem em nosso planeta.<a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.cenedcursos.com.br\/meio-ambiente\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/biodiversidade.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"3920\" data-permalink=\"https:\/\/cenedcursos.com.br\/meio-ambiente\/biodiversidade-2\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/cenedcursos.com.br\/meio-ambiente\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/biodiversidade-1.jpg?fit=300%2C201&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"300,201\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"biodiversidade\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/cenedcursos.com.br\/meio-ambiente\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/biodiversidade-1.jpg?fit=300%2C201&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/cenedcursos.com.br\/meio-ambiente\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/biodiversidade-1.jpg?fit=300%2C201&amp;ssl=1\" class=\"alignright size-full wp-image-3920\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.cenedcursos.com.br\/meio-ambiente\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/biodiversidade.jpg?resize=300%2C201&#038;ssl=1\" alt=\"biodiversidade\" width=\"300\" height=\"201\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na atualidade est\u00e3o descritas aproximadamente um milh\u00e3o e meio de esp\u00e9cies, das quais, cerca de 90% s\u00e3o conhecidas apenas por pouco mais que nome e apar\u00eancia. Ou seja, t\u00eam-se alguns ligeiros conhecimentos sobre a biologia dos organismos que perfazem apenas 10% deste milh\u00e3o e meio de esp\u00e9cies. Entretanto, o principal problema \u00e9 que este milh\u00e3o e meio de esp\u00e9cies descritas, na realidade, constitui uma pequena porcentagem do total realmente existente. Continuamente s\u00e3o descobertas novas esp\u00e9cies, especialmente em grupos como os incrivelmente diversos artr\u00f3podes (insetos, aracn\u00eddeos e crust\u00e1ceos), e em outros grupos de dif\u00edcil taxonomia (fungos, protozo\u00e1rios, vermes, nemat\u00f3deos, etc.). Como dado, aponta-se que, entre 1978 e 1987 foram descritas, aproximadamente, 13.000 esp\u00e9cies por ano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todavia, n\u00e3o s\u00e3o descobertas somente esp\u00e9cies novas. Em 1977, em uma imers\u00e3o do submerg\u00edvel &#8220;Alvin&#8221;, foram descobertas surg\u00eancias hidrotermais nas profundidades do oceano Pac\u00edfico, onde foi encontrado um ecossistema de caracter\u00edsticas \u00fanicas. Efetivamente, por volta das fumarolas das surg\u00eancias, encontraram-se comunidades at\u00e9 ent\u00e3o desconhecidas: vermes tub\u00edcolas de 2 m de comprimento, am\u00eaijoas e mexilh\u00f5es abissais gigantes, e muitas outras esp\u00e9cies adaptadas \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de elevada press\u00e3o e temperatura imperantes neste ambiente peculiar. Foram encontradas ali, desde ent\u00e3o, cerca de 16 fam\u00edlias de invertebrados anteriormente desconhecidas. Estes ecossistemas hidrotermais submarinos s\u00e3o, al\u00e9m disso, \u00fanicos por outra importante raz\u00e3o: sua fonte de energia n\u00e3o prov\u00e9m do Sol, mas da energia qu\u00edmica proporcionada pela pr\u00f3pria surg\u00eancia hidrotermal, sendo aproveitada pelas bact\u00e9rias quimiossint\u00e9ticas que cumprem o mesmo papel dos vegetais fotossint\u00e9ticos na superf\u00edcie.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Partindo de v\u00e1rias estimativas e extrapola\u00e7\u00f5es, chegou-se \u00e0 conclus\u00e3o de que na Terra deve haver entre 5 e 30 milh\u00f5es de esp\u00e9cies. T\u00e3o ampla varia\u00e7\u00e3o de ordem de grandeza justifica-se por serem diferentes os m\u00e9todos aplicados para estimar a biodiversidade total planet\u00e1ria e, evidentemente, pelo pouco conhecimento real dispon\u00edvel. Por exemplo, os insetos: formam o grupo com maior n\u00famero de esp\u00e9cies descritas (umas 750.000 aproximadamente), s\u00f3 que, ao mesmo tempo, \u00e9 um dos grupos mais desconhecidos. Os microorganismos s\u00e3o daqueles casos que escapam a toda estimativa confi\u00e1vel. As bact\u00e9rias, por exemplo, s\u00e3o identificadas atrav\u00e9s de uma bateria de cultivos em laborat\u00f3rio e caracteriza\u00e7\u00f5es bioqu\u00edmicas. S\u00e3o identificadas, na atualidade, cerca de 5.000 esp\u00e9cies. A utiliza\u00e7\u00e3o das modernas t\u00e9cnicas de biologia molecular tem permitido, n\u00e3o obstante, a conclus\u00e3o de que o n\u00famero real de esp\u00e9cies de bact\u00e9rias \u00e9 muito maior, pois a maior parte delas s\u00e3o indetect\u00e1veis pela metodologia microbiol\u00f3gica cl\u00e1ssica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em poucas palavras: existem ainda muitos organismos desconhecidos que n\u00e3o foram descritos at\u00e9 agora. E n\u00e3o s\u00f3 organismos microsc\u00f3picos; em 1997 descobriu-se um mam\u00edfero novo para a ci\u00eancia nas selvas do Vietnam, um pequeno cervo conhecido pelo nome local de &#8220;Muntjac Troung Son&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O termo <a href=\"http:\/\/www.mma.gov.br\/biodiversidade\/biodiversidade-brasileira\/pol%C3%ADtica-nacional-da-biodiversidade\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">biodiversidade<\/a> foi inspirado, fundamentalmente, pela incr\u00edvel diversidade biol\u00f3gica das florestas tropicais pluviais, consideradas, precisamente, como os ecossistemas mais ricos em biodiversidade da Terra. A preocupa\u00e7\u00e3o pela perda de diversidade tem sua origem, de fato, na mesma \u00e9poca em que se teve conhecimento do fren\u00e9tico ritmo de destrui\u00e7\u00e3o destas florestas. Com base em estimativas da riqueza de esp\u00e9cies destas florestas, muitas delas bem especializadas e adaptadas \u00e0 vida em habitats pr\u00f3prios, os cientistas acreditam que, caso mantenha-se este ritmo de destrui\u00e7\u00e3o, cerca de 17.000 esp\u00e9cies podem ser extintas por ano. Calcula-se que a metade das esp\u00e9cies atuais podem se extinguir nos pr\u00f3ximos cem anos se o atual ritmo de destrui\u00e7\u00e3o das florestas tropicais continuar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Exatamente pela grande reserva de biodiversidade que s\u00e3o as florestas tropicais, sempre destaca-se, nestes estudos, a import\u00e2ncia dos ecossistemas terrestres, deixando de lado os ecossistemas marinhos, embora estes \u00faltimos representem 75% da superf\u00edcie terrestre. Existem, no entanto, ecossistemas marinhos de uma riqueza compar\u00e1vel \u00e0 da floresta tropical pluvial: os recifes de coral, somente encontrados nas costas de mares tropicais. Diferentemente do que ocorre nas florestas, onde tudo \u00e9 oculto \u00e0 vista, no recife de coral \u00e9 relativamente f\u00e1cil ver, ao menos, parte da riqueza de esp\u00e9cies que abriga: em um s\u00f3 recife de coral australiano podem ser encontradas at\u00e9 500 esp\u00e9cies de peixes, mais do que em todo o mar Mediterr\u00e2neo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os recifes de coral est\u00e3o intrinsecamente ligados a outros dois ecossistemas costeiros tropicais: os campos de faner\u00f3gamas, ou pastagens marinhas, e as florestas de mangue ou manguezais, onde vivem as fases juvenis daqueles organismos que ao crescerem povoar\u00e3o o recife. Tal qual ocorre com as florestas tropicais, todos estes ecossistemas costeiros est\u00e3o sendo gravemente afetados: altera\u00e7\u00f5es nas zonas costeiras, opera\u00e7\u00f5es pesqueiras, contamina\u00e7\u00e3o e turismo s\u00e3o suas amea\u00e7as. Entretanto, apesar de no mar as extin\u00e7\u00f5es n\u00e3o ocorrem ao mesmo ritmo que nos ecossistemas terrestres, come\u00e7a-se a observar ind\u00edcios perigosos (como o branqueamento e a mortalidade maci\u00e7a de corais, por exemplo), que podem atingir, pelas caracter\u00edsticas do meio marinho, um alcance muito mais global que os casos terrestres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como principais causas pela perda mundial da biodiversidade deve-se apontar principalmente a destrui\u00e7\u00e3o dos ecossistemas, tanto terrestres como marinhos, especialmente nos tr\u00f3picos, a introdu\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies ex\u00f3ticas em ecossistemas que n\u00e3o lhes s\u00e3o pr\u00f3prios, a m\u00e1 gest\u00e3o de popula\u00e7\u00f5es selvagens, que podem se disseminar chegando a eliminar as esp\u00e9cies aut\u00f3ctones; e a contamina\u00e7\u00e3o do meio, afetando tanto em escala local como global.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As raz\u00f5es \u00faltimas de todos estes fatores s\u00e3o, naturalmente, humanas. Segundo a UNESCO, trata-se do uso incorreto de recursos, a partir de uma vis\u00e3o excessivamente utilitarista do mundo, tamb\u00e9m imposta pelo fen\u00f4meno do colonialismo, pela m\u00e1 planifica\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o econ\u00f4mica e pol\u00edtica, assim como pela pobreza end\u00eamica e o aumento descontrolado da popula\u00e7\u00e3o naquelas \u00e1reas onde existe uma biodiversidade mais rica, precisamente na maioria dos pa\u00edses do Terceiro Mundo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A palavra biodiversidade \u00e9 um neologismo popularizado recentemente pelo cientista norte americano Edward O. 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