{"id":838,"date":"2011-06-13T13:41:57","date_gmt":"2011-06-13T13:41:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cenedcursos.com.br\/?p=838"},"modified":"2011-06-13T13:41:57","modified_gmt":"2011-06-13T13:41:57","slug":"xingu-carta-cacique","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cenedcursos.com.br\/meio-ambiente\/xingu-carta-cacique\/","title":{"rendered":"Xingu chora e sangra &#8211; Carta do Cacique Mutua a todos os povos da Terra"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">O Sol me acordou dan\u00e7ando no meu rosto. Pela manh\u00e3, atravessou a palha da oca e brincou com meus olhos sonolentos. O irm\u00e3o Vento, mensageiro do Grande Esp\u00edrito, soprou meu nome, fazendo tremer as folhas das plantas l\u00e1 fora.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Eu sou Mutua, cacique da aldeia dos Xavantes. Na nossa l\u00edngua, Xingu quer dizer \u201c\u00e1gua boa\u201d, \u201c\u00e1gua limpa\u201d. \u00c9 o nome do nosso rio sagrado.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Como guiso da serpente, o Vento anunciou perigo. Meu cora\u00e7\u00e3o pesou como jaca madura, a garganta pediu saliva. Eu ouvi. O Grande Esp\u00edrito da floresta estava bravo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Xingu banha toda a floresta com a \u00e1gua da vida. Ele traz alegria e sorriso no rosto dos curumins da aldeia. Xingu traz alimento para nossa tribo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Mas hoje nosso povo est\u00e1 triste. Xingu recebeu senten\u00e7a de morte. Os caciques dos homens brancos v\u00e3o matar nosso rio.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">O lamento do Vento diz que logo vem uma tal de usina para nossa terra. O nome dela \u00e9 Belo Monte. No vilarejo de Altamira, v\u00e3o construir a barragem. V\u00e3o tirar um monte de terra, mais do que fizeram l\u00e1 longe, no canal do Panam\u00e1.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Enquanto inundam a floresta de um lado, prendem a \u00e1gua de outro. Xingu vai correr mais devagar. A floresta vai secar em volta. Os animais v\u00e3o morrer. Vai diminuir a desova dos peixes. E se sobrar vida, ficar\u00e1 triste como o \u00edndio.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Como uma grande serpente prateada, Xingu desliza pelo Par\u00e1 e Mato Grosso, refrescando toda a floresta. Xingu vai longe\u2026 desembocar no Rio Amazonas e alimentar outros povos distantes.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Se o rio morre, a gente tamb\u00e9m morre, os animais, a floresta, a ro\u00e7a, o peixe\u2026 tudo morre. Aprendi isso com meu pai, o grande cacique Aritana, que me ensinou como fincar o peixe na \u00e1gua, usando a flecha, para servir nosso alimento.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Se Xingu morre, o curumim do futuro dormir\u00e1 para sempre no passado, levando o canto da sabedoria do nosso povo para o fundo das \u00e1guas de sangue.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Hoje pela manh\u00e3, o Vento me levou para a floresta. O Esp\u00edrito do Vento \u00e9 apressado, tem de correr mundo, soprar o saber da alma da Natureza nos ouvidos dos outros paj\u00e9s. Mas o homem branco est\u00e1 surdo e h\u00e1 muito tempo n\u00e3o ouve mais o Vento.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Eu falei com a Floresta, com o Vento, com o C\u00e9u e com o Xingu. Entendo a l\u00edngua da arara, da on\u00e7a, do macaco, do tamandu\u00e1, da anta e do tatu. O Sol, a Lua e a Terra s\u00e3o sagrados para n\u00f3s.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Quando um \u00edndio nasce, ele se torna parte da M\u00e3e Natureza. Nossos antepassados, muitos que partiram pela m\u00e3o do homem branco, s\u00e3o sagrados para o meu povo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">\u00c9 verdade que, depois que homem branco chegou, o homem vermelho nunca mais foi o mesmo. Ele trouxe o esp\u00edrito da doen\u00e7a, a gripe que matou nosso povo. E o esp\u00edrito da gan\u00e2ncia que roubou nossas \u00e1rvores e matou nossos bichos. No passado, j\u00e1 fomos milh\u00f5es. Hoje, somos somente cinco mil \u00edndios \u00e0 beira do Xingu, n\u00e3o sei por quanto tempo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Na ro\u00e7a, ainda conseguimos plantar a mandioca, que \u00e9 nosso principal alimento, junto com o peixe. Com ela, a gente faz o beiju. Conta a hist\u00f3ria que Mandioca nasceu do corpo branco de uma linda indiazinha, enterrada numa oca, por causa das l\u00e1grimas de saudades dos seus pais ca\u00eddas na terra que a guardava.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">O Sol me acordou dan\u00e7ando no meu rosto. E o Vento trouxe o clamor do rio que est\u00e1 bravo. Sou corajoso guerreiro, n\u00e3o temo nada.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Caminharei sobre jacar\u00e9s, enfrentarei o abra\u00e7o de morte da jiboia e as garras terr\u00edveis da su\u00e7uarana. Por cima de todas as coisas pularei, se quiserem me segurar. Os esp\u00edritos t\u00eam sentimentos e n\u00e3o gostam de muito esperar.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Eu aprendi desde pequeno a falar com o Grande Esp\u00edrito da floresta. Foi num dia de chuva, quando corria sozinho dentro da mata, e senti c\u00f3cegas nos p\u00e9s quando pisei as sementes de castanha do ch\u00e3o. O meu arco e flecha seguiam a ca\u00e7a, enquanto eu mesmo era ca\u00e7ado pelas sombras dos seres m\u00e1gicos da floresta.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">O esp\u00edrito do Gavi\u00e3o Real agora aparece rodopiando com suas grandes asas no c\u00e9u.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Com um grito agudo perguntou:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">\u2013 Quem foi o primeiro a ferir o corpo de Xingu?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Meu cora\u00e7\u00e3o apertado como a polpa do pequi n\u00e3o tem coragem de dizer que foi o representante do reino dos homens.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">O esp\u00edrito do Gavi\u00e3o Real diz que se a art\u00e9ria do Xingu for rompida por causa da barragem, a ira do rio se espalhar\u00e1 por toda a terra como sangue \u2013 e seu cheiro ser\u00e1 o da morte.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">O Sol me acordou brincando no meu rosto. O dia se abriu e me perguntou da vida do rio. Se matarem o Xingu, todos veremos o alimento virar areia.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">A ave de cabe\u00e7a majestosa me atraiu para a reuni\u00e3o dos esp\u00edritos sagrados na floresta. Pisando as folhas velhas do ch\u00e3o com cuidado, pois a terra est\u00e1 gr\u00e1vida, segui a trilha do rio Xingu. Lembrei que, antes, a gente ia para a cidade e no caminho eu s\u00f3 via \u00e1rvores.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Agora, o madeireiro e o fazendeiro espremeram o \u00edndio perto do rio com o cultivo de pastos para boi e planta\u00e7\u00f5es mergulhadas no veneno. A terra est\u00e1 estragada. Depois de matar a nossa floresta, nossos animais, sujar nossos rios e derrubar nossas \u00e1rvores, querem matar Xingu.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">O Sol me acordou brincando no meu rosto. E no caminho do rio passei pela Grande \u00c1rvore e uma seiva vermelha deslizava pelo seu n\u00f3dulo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">\u2013 Quem arrancou a pele da nossa m\u00e3e? \u2013 gemeu a velha senhora num sentimento profundo de dor.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">As palavras faltaram na minha boca. N\u00e3o tinha como explicar o mal que trar\u00e3o \u00e0 terra.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">\u2013 Leve a nossa voz para os quatro cantos do mundo \u2013 clamou \u2013 O Vento ligeiro soprar\u00e1 at\u00e9 as conchas dos ouvidos amigos \u2013 ventilou por \u00faltimo, usando a l\u00edngua antiga, enquanto as folhas no alto se debatiam.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Nosso povo tentou gritar contra os neg\u00f3cios dos homens. Levamos nossa gente para falar com cacique dos brancos. Nossos caciques do Xingu viajaram preocupados e revoltados para Bras\u00edlia. Eu estava l\u00e1, e vi tudo acontecer.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Os caciques cara\u00edbas se escondem. N\u00e3o querem olhar direto nos nossos olhos. Eles dizem que nos consultaram, mas ningu\u00e9m foi ouvido.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">O homem branco devia saber que nada cresce se n\u00e3o prestar rever\u00eancia \u00e0 vida e \u00e0 natureza. Tudo que acontecer aqui vai voar com o Vento que n\u00e3o tem fronteiras. Recair\u00e1 um dia em calor e sofrimento para outros povos distantes do mundo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">O tempo da verdade chegou e existe miss\u00e3o em cada estrela que brilha nas ondas do Rio Xingu. Pronta para desvendar seus mist\u00e9rios, tanto no mundo dos homens como na natureza.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Eu sou o cacique Mutua e esta \u00e9 minha palavra! Esta \u00e9 minha dan\u00e7a! E este \u00e9 o meu canto!<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">\u201cPorta-voz da nossa tradi\u00e7\u00e3o, vamos nos fortalecer. Casa de Rezas, vamos nos fortalecer. Bicho-Esp\u00edrito, vamos nos fortalecer. Marac\u00e1, vamos nos fortalecer. Vento, vamos nos fortalecer. Terra, vamos nos fortalecer.\u201d<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Rio Xingu! Vamos nos fortalecer!<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Leve minha mensagem nas suas ondas para todo o mundo: a terra \u00e9 fonte de toda vida, mas precisa de todos n\u00f3s para dar vida e fazer tudo crescer.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Quando voc\u00ea avistar um reflexo mais brilhante nas \u00e1guas de um rio, lago ou mar, \u00e9 a mensagem de lamento do Xingu clamando por viver.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><em><strong>* M\u00f4nica Martins<\/strong> \u00e9 jornalista e criadora da personagem fict\u00edcia Cacique Mutua.<\/em><\/span><span style=\"font-size: 10pt; font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"> (O Autor)<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Fonte: <a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener noreferrer\">http:\/\/www.envolverde.com.br<\/a><br \/>\n<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">[grwebform url=&#8221;http:\/\/app.getresponse.com\/view_webform.js?wid=3381303&amp;u=SK7G&#8221; css=&#8221;on&#8221;\/]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Sol me acordou dan\u00e7ando no meu rosto. 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