{"id":8755,"date":"2017-04-22T18:10:20","date_gmt":"2017-04-22T21:10:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cenedcursos.com.br\/meio-ambiente\/?p=8755"},"modified":"2017-04-22T18:10:20","modified_gmt":"2017-04-22T21:10:20","slug":"licoes-ocupacoes-humanas-passado-amazonico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cenedcursos.com.br\/meio-ambiente\/licoes-ocupacoes-humanas-passado-amazonico\/","title":{"rendered":"Li\u00e7\u00f5es das ocupa\u00e7\u00f5es humanas no passado Amaz\u00f4nico"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<div>\n<div id=\"attachment_52782\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 1034px;\">\n<img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-52782 size-large\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.cenedcursos.com.br\/meio-ambiente\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/Li%C3%A7%C3%B5es-das-ocupa%C3%A7%C3%B5es-humanas-no-passado-Amaz%C3%B4nico.jpg?resize=696%2C464&#038;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/www.cenedcursos.com.br\/meio-ambiente\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/Li\u00e7\u00f5es-das-ocupa\u00e7\u00f5es-humanas-no-passado-Amaz\u00f4nico.jpg 1024w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/Ge\u00f3glifo-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/Ge\u00f3glifo-600x400.jpg 600w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/Ge\u00f3glifo-278x185.jpg 278w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/Ge\u00f3glifo.jpg 1152w\" alt=\"Geoglifos no Acre. Foto: Edison Caetano.\" width=\"696\" height=\"464\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Pesquisa com geoglifos indica que Amaz\u00f4nia teve uso sustent\u00e1vel h\u00e1 milhares de anos. Ser\u00e1? Foto: Edison Caetano.<\/p>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estudos rec\u00e9m-publicados que brindam mais evid\u00eancias sobre a presen\u00e7a de civiliza\u00e7\u00f5es<a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\">[i]<\/a> e sobre a domestica\u00e7\u00e3o e propaga\u00e7\u00e3o de \u00e1rvores<a href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\">[ii]<\/a> pelas sociedades pr\u00e9-colombianas na Amaz\u00f4nia t\u00eam se prestado para interpreta\u00e7\u00f5es curiosas, exemplificadas em titulares como \u201c<a href=\"http:\/\/agencia.fapesp.br\/pesquisa_com_geoglifos_indica_que_amazonia_teve_uso_sustentavel_ha_milhares_de_anos\/24862\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pesquisa com geoglifos indica que Amaz\u00f4nia teve uso sustent\u00e1vel h\u00e1 milhares de anos<\/a>\u201d<a href=\"#_edn3\" name=\"_ednref3\">[iii]<\/a> e \u201c<a href=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/noticias\/o-grande-pomar-dos-indios-pre-colombianos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">O grande pomar dos \u00edndios pr\u00e9-colombianos<\/a>\u201d<a href=\"#_edn4\" name=\"_ednref4\">[iv]<\/a>. Essas afirma\u00e7\u00f5es foram inspiradas aos jornalistas por declara\u00e7\u00f5es de alguns dos autores dos estudos apesar de que n\u00e3o eram objeto das pesquisas mencionadas nem figuram nas conclus\u00f5es dos textos cient\u00edficos. No essencial, defendem a ideia de que as atividades dos antigos habitantes da Amaz\u00f4nia eram ambientalmente sustent\u00e1veis e que as modifica\u00e7\u00f5es ao ambiente por eles feitas s\u00e3o positivas, bem-vindas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta nota se procura explicar os resultados dessas investiga\u00e7\u00f5es num contexto mais amplo e se argumenta que, pelo contr\u00e1rio, essas como muitas outras descobertas semelhantes confirmam que os impactos ambientais da ocupa\u00e7\u00e3o pr\u00e9-colombiana da Amaz\u00f4nia sobre os ecossistemas e a diversidade biol\u00f3gica, excetuando a sua muito menor magnitude, diferem muito pouco dos atuais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A ocupa\u00e7\u00e3o pr\u00e9-colombiana da Amaz\u00f4nia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Amaz\u00f4nia \u00e9 enorme (uns 600 milh\u00f5es de hectares) e, na verdade, existem muitas \u201camaz\u00f4nias\u201d bem diferentes umas das outras que, ademais, est\u00e3o influenciadas pelos biomas vizinhos. Sabe-se que a sua popula\u00e7\u00e3o \u00e9 quase t\u00e3o antiga quanto as de outras partes da Am\u00e9rica do Sul e que come\u00e7ou a desenvolver assentamentos humanos significativos de 6 a 8 mil anos atr\u00e1s. N\u00e3o se sabe qual foi a sua popula\u00e7\u00e3o, embora alguns considerem que em algum momento chegou a ter ao redor de oito milh\u00f5es de habitantes. Grosso modo se distinguem quatro tipos diferentes de habitantes: (i) civiliza\u00e7\u00f5es que deixaram grandes obras de engenharia, (ii) civiliza\u00e7\u00f5es com concentra\u00e7\u00f5es humanas importantes que ocuparam as v\u00e1rzeas dos rios principais; (iii) povos da floresta com agricultura, dentre eles os associados aos s\u00edtios de terra preta e; (iv) povos da floresta com pouca ou sem agricultura, essencialmente ca\u00e7adores, pescadores e coletores. Como \u00e9 evidente, existe uma grada\u00e7\u00e3o no tempo e no espa\u00e7o entre cada um desses grupos, n\u00e3o sendo poss\u00edvel separa-los completamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Parte do primeiro grupo se concentrou no lado noroeste, ocupando a Amaz\u00f4nia Alta de Peru, Equador e Col\u00f4mbia. Civiliza\u00e7\u00f5es tais como os Chachapoyas e Pajat\u00e9n no Peru ou Pastaza e Sangay no Equador, constru\u00edram cidades de pedra<a href=\"#_edn5\" name=\"_ednref5\">[v]<\/a> e levando-se em conta sua rela\u00e7\u00e3o com os Andes, desenvolveram uma agricultura bastante intensa desmatando \u00e1reas significativas. Usaram cultivos origin\u00e1rios de outras regi\u00f5es, como o milho e, obviamente, tamb\u00e9m aproveitaram os que as popula\u00e7\u00f5es pr\u00e9-existentes j\u00e1 conheciam. No sudoeste da Amaz\u00f4nia se desenvolveu outra importante e antiga civiliza\u00e7\u00e3o que construiu as imensas infraestruturas h\u00eddricas das Pampas de Mojos, no Beni boliviano, as que tamb\u00e9m se conhecem, em escalas menores, de outras partes da regi\u00e3o<a href=\"#_edn6\" name=\"_ednref6\">[vi]<\/a>. Aparentemente estes tamb\u00e9m cultivaram essencialmente milho e ab\u00f3bora, dentre outras esp\u00e9cies locais. E, j\u00e1 no Acre, no Brasil, a cultura anterior \u2013 ou qui\u00e7\u00e1 outra \u2013 fez intrigantes geoglifos e, obviamente, tamb\u00e9m cultivaram. A maioria dessas civiliza\u00e7\u00f5es j\u00e1 estava decadente, ou no caso das duas \u00faltimas, haviam desaparecido antes da chegada dos europeus. Estes s\u00f3 acharam na Amaz\u00f4nia em algumas localidades dominadas pelos Incas, dentre elas algumas de ocupa\u00e7\u00e3o recente como Machu Picchu e Choquequirao, no Peru.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao segundo grupo correspondem civiliza\u00e7\u00f5es das beiras dos grandes rios amaz\u00f4nicos e do seu delta (as culturas Maraj\u00f3) que s\u00e3o as que os espanh\u00f3is e portugueses encontraram quase cinco s\u00e9culos atr\u00e1s, inclu\u00eddo o reino das Amazonas<a href=\"#_edn7\" name=\"_ednref7\">[vii]<\/a>. Possu\u00edam centros povoados consider\u00e1veis e faziam cultivos anuais nas v\u00e1rzeas aproveitando da fertilidade constantemente renovada. Tamb\u00e9m, com certeza, aproveitaram as florestas pr\u00f3ximas e, obviamente, a pesca devia ser muito importante para eles. Existe pouca d\u00favida que eram o grosso da popula\u00e7\u00e3o amaz\u00f4nica e que as enfermidades trazidas pelos conquistadores os dizimaram r\u00e1pida e drasticamente, j\u00e1 que eles foram os primeiros a serem contatados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os outros dois grupos deviam se parecer muito aos ind\u00edgenas da atualidade. Com certeza disporiam de uma agricultura diversificada que praticavam em certa medida na base dos muitos s\u00edtios de terra preta<a href=\"#_edn8\" name=\"_ednref8\">[viii]<\/a>. Suas popula\u00e7\u00f5es estavam constitu\u00eddas por comunidades ou grupos menores e esparsos, embora formassem na\u00e7\u00f5es com territ\u00f3rios diferenciados. Outros provavelmente praticavam, como agora, a rota\u00e7\u00e3o de seus cultivos, ou seja, agricultura migrat\u00f3ria, que devia ser a regra geral para superar as limita\u00e7\u00f5es dos solos. Assim mesmo, deviam rotar seus territ\u00f3rios de ca\u00e7a. Finalmente tamb\u00e9m existiam, como at\u00e9 hoje, povos de h\u00e1bitos essencialmente itinerantes, com agricultura limitada e com uma economia baseada na ca\u00e7a, pesca e recolec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 muito importante entender que todos esses povos cresceram, chegaram ao seu apogeu e logo a sua decad\u00eancia e recome\u00e7aram o ciclo, ou migraram, em per\u00edodos n\u00e3o bem precisos ao longo dos mil\u00eanios e todos ou quase todos interagiram entre eles, muito ou pouco. Uns povos herdaram o que outros fizeram e todos viajaram, comerciaram ou migraram. Como em outros continentes, as plantas \u00fateis e domesticadas assim como outros conhecimentos agr\u00edcolas e florestais de cada uma dessas culturas e povos se combinaram com os dos demais, ao longo de milhares de anos e chegaram de uma forma ou outra a ser aproveitadas e conhecidas pela maioria, na medida em que a geografia e a ecologia o permitiram. Por isso, o n\u00famero de plantas amaz\u00f4nicas usadas pelos habitantes pr\u00e9-colombianos foi muito grande<a href=\"#_edn9\" name=\"_ednref9\">[ix]<\/a>. Ademais, plantas provavelmente norte-americanas adaptadas aos Andes, como o milho ou a ab\u00f3bora, e outras propriamente inter-andinas foram conhecidas na Amaz\u00f4nia do mesmo modo que muitas, de origem amaz\u00f4nica, foram bem conhecidas nos Andes e especialmente na costa do Pac\u00edfico<a href=\"#_edn10\" name=\"_ednref10\">[x]<\/a>, como a coca<a href=\"#_edn11\" name=\"_ednref11\">[xi]<\/a>. Tamb\u00e9m usaram plantas anuais e perenes do vizinho Cerrado, como caju e abacaxi e \u00e9 prov\u00e1vel que as \u00e1rvores e palmeiras \u00fateis fossem o aporte principal dos povos florestais itinerantes. Os interc\u00e2mbios culturais entre povos dos biomas sul-americanos eram intensos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sustentabilidade ambiental<\/strong><strong>?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A resposta curta a esta pergunta \u00e9 que quase nada das formas de uso da terra e dos recursos naturais renov\u00e1veis dos antigos povos amaz\u00f4nicos pode ser considerada intrinsecamente \u201csustent\u00e1vel\u201d. As evidencias dos impactos ambientais das suas atividades econ\u00f4micas s\u00e3o contundentes demais como para assumir que eles descobriram o bem guardado segredo da sustentabilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAt\u00e9 os mais rom\u00e2nticos j\u00e1 se resignaram a admitir que a Amaz\u00f4nia, como qualquer outra parte do planeta, foi ocupada, explorada e alterada pelos humanos, e que os europeus, embora eles n\u00e3o o soubessem, n\u00e3o acharam \u201cnada virgem\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O suposto da sustentabilidade do desenvolvimento dos povos pr\u00e9-colombianos amaz\u00f4nicos se fundamenta, em termos gerais, no fato de que quando os primeiros viageiros ilustrados europeus visitaram a regi\u00e3o, nos s\u00e9culos XVIII e XIX, a floresta parecia intocada. Inspira-se tamb\u00e9m no que ocorre na atualidade nas \u00e1reas nas que ind\u00edgenas ainda vivem de modo tradicional e relativamente isolados e, inquestionavelmente, \u00e9 uma vers\u00e3o modernizada do mito do bom selvagem. Tamb\u00e9m assume que o desenvolvimento de grandes civiliza\u00e7\u00f5es demonstra que souberam produzir sem destruir. Mas, estes argumentos s\u00e3o fr\u00e1geis. Em primeiro lugar ningu\u00e9m sabe como era a Amaz\u00f4nia quando os espanh\u00f3is entraram em 1542 no rio Napo e iniciaram sua famosa viagem. Eles s\u00f3 descreveram o que viram ao longo dos rios que navegaram. Ou seja, n\u00e3o se sabe a dimens\u00e3o das mudan\u00e7as ambientais que ent\u00e3o j\u00e1 existiam. Mas, \u00e9 verdade que at\u00e9 a metade do s\u00e9culo XX, apesar da tr\u00e1gica \u00e9poca da explora\u00e7\u00e3o do <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Castilla_ulei\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">caucho<\/a>, que n\u00e3o provocou desmatamento significativo, a Amaz\u00f4nia podia parecer essencialmente virgem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ocorre que durante os 400 anos transcorridos entre o \u201cdescobrimento\u201d e o inicio da ocupa\u00e7\u00e3o massiva se borraram muitas das pegadas das atividades pr\u00e9-colombianas. As cicatrizes da ocupa\u00e7\u00e3o pr\u00e9-colombiana estavam bem escondidas debaixo e dentro da mata. Mas, o desmatamento e as ferramentas modernas da ci\u00eancia est\u00e3o revelando que o que parecia \u201cvirgem\u201d n\u00e3o era tal e que o impacto ambiental das sociedades pr\u00e9-colombianas foi enorme. At\u00e9 os mais rom\u00e2nticos j\u00e1 se resignaram a admitir que a Amaz\u00f4nia, como qualquer outra parte do planeta, foi ocupada, explorada e alterada pelos humanos, e que os europeus, embora eles n\u00e3o o soubessem, n\u00e3o acharam \u201cnada virgem\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O uso do fogo foi a marca principal da presen\u00e7a humana na Amaz\u00f4nia. O fogo, como em qualquer outra parte, foi a ferramenta indispens\u00e1vel do desmatamento para produzir alimentos com plantas de per\u00edodo vegetativo curto, que necessitam de muita luz. O fogo n\u00e3o t\u00e3o s\u00f3 era usado para eliminar as arvores m\u00e1s assim mesmo para eliminar vegeta\u00e7\u00e3o indesejada e renovar os campos; para ca\u00e7ar e, obviamente, para cozinhar, dentre outras muitas aplica\u00e7\u00f5es. Ou seja, durante mil\u00eanios o fogo foi utilizado reiteradamente, muitas vezes nos mesmos locais, permanentemente ou periodicamente como no caso da agricultura migrat\u00f3ria. Ademais, nem sempre o fogo era bem controlado e por isso seu impacto podia ir muito al\u00e9m do local escolhido para produzir alimentos ou outros bens. O fogo, como bem se sabe, \u00e9 um dr\u00e1stico modificador dos ecossistemas, destruindo toda a vida, alterando as sucess\u00f5es vegetais, modificando os nexos tr\u00f3ficos, reduzindo a diversidade biol\u00f3gica, emitindo gases de efeito estufa. Tamb\u00e9m gera eros\u00e3o do solo, perda de nutrientes, contamina\u00e7\u00e3o das aguas e do ar e, claro, antes como agora \u00e9 um modelador do clima.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os impactos da presen\u00e7a humana n\u00e3o foram os mesmos nas diferentes sociedades que ocuparam a regi\u00e3o. As civiliza\u00e7\u00f5es amaz\u00f4nicas, como outras, usaram intensamente do fogo para suprir suas ferramentas de madeira, pedra e qui\u00e7\u00e1 bronze. No caso das amaz\u00f4nico-andinas o impacto foi grande, pois a topografia acidentada e o vento permitem que o fogo prospere facilmente ladeira acima. Qui\u00e7\u00e1 constru\u00edram terra\u00e7os \u2013 o que tamb\u00e9m \u00e9 um impacto \u2013 \u00a0mas, n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancia disso na maior parte do que foi seu territ\u00f3rio. \u00c9 demostrado que o fogo tamb\u00e9m foi usado para abrir espa\u00e7o nas florestas para construir as amplas infraestruturas hidr\u00e1ulicas que s\u00e3o vis\u00edveis at\u00e9 hoje na Amaz\u00f4nia da Bol\u00edvia e em outros locais. As obras hidr\u00e1ulicas, ademais da erradica\u00e7\u00e3o da floresta, deixaram marcas indel\u00e9veis da sua presen\u00e7a na topografia que alteraram a umidade do solo e o curso das aguas, modificando todos os processos ecol\u00f3gicos da regi\u00e3o. Por exemplo, de acordo com o estudo sobre os geoglifos do Acre, a abund\u00e2ncia de palmeiras \u00fateis nessa \u00e1rea seria feitura humana. Um tema intrigante sempre que se fala das grandes civiliza\u00e7\u00f5es que se instalaram nas florestas tropicais, sejam estas asi\u00e1ticas (os Khmer) ou americanas (os Maia) \u00e9 que apesar de seu not\u00f3rio desenvolvimento, n\u00e3o tiveram continuidade, contrastando com as que ocuparam outros biomas. E, no caso da Amaz\u00f4nia n\u00e3o parece ter sido diferente. A desapari\u00e7\u00e3o dessas grandes culturas \u2013 que usualmente \u00e9 explicada por enfermidades novas e devastadoras \u2013 pode ser tamb\u00e9m uma consequ\u00eancia da falta de sustentabilidade dos assentamentos<a href=\"#_edn12\" name=\"_ednref12\">[xii]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO que fizeram os povos pr\u00e9-colombianos para viver e prosperar na Amaz\u00f4nia \u00e9 exatamente o mesmo que fizeram todos os povos do mundo e, no essencial, \u00e9 o mesmo que se faz na atualidade\u201d.<br \/>\n\u201cOs humanos sempre desmataram, queimaram, domesticaram, ca\u00e7aram e pescaram. E, sem d\u00favida, tamb\u00e9m erodiram os solos e contaminaram as \u00e1guas. S\u00f3 mudou a escala\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As civiliza\u00e7\u00f5es das v\u00e1rzeas amaz\u00f4nicas, gra\u00e7as a renova\u00e7\u00e3o anual dos solos, deveriam ser bem mais est\u00e1veis ou quase \u201csustent\u00e1veis\u201d, mas, o tempo, as chuvas e as inunda\u00e7\u00f5es deixaram poucos rastros da sua cultura. Sendo popula\u00e7\u00f5es consider\u00e1veis deveriam ter um impacto bastante grande nas florestas aluviais e em outras pr\u00f3ximas e assim mesmo no recurso pesqueiro. Os povos que criaram ou usaram as terras pretas deixaram seus rastros nesses mesmos locais onde, obviamente o fogo foi fundamental para conseguir cultivar plantas anuais, o que tamb\u00e9m fizeram os que praticavam agricultura tipicamente migrat\u00f3ria. Esta forma de agricultura, apesar de ser praticada por concentra\u00e7\u00f5es humanas pequenas, impacta \u00e1reas muito extensas, j\u00e1 que aproveita cada local por poucos anos. Estes grupos s\u00e3o provavelmente os principais respons\u00e1veis pela domestica\u00e7\u00e3o de plantas perenes e pelo conhecimento da utilidade de outras muitas esp\u00e9cies. O grupo que teve menos impacto ambiental nessa etapa da historia humana da Am\u00e9rica do Sul foram, evidentemente, os ca\u00e7adores e coletores que, devido ao esgotamento das presas, faziam percursos longos. N\u00e3o obstante, povos amaz\u00f4nicos deste grupo usavam o fogo para ca\u00e7ar \u2013 o mesmo fazem \u00edndios do Chaco paraguaio \u2013 e para fazer proliferar determinadas esp\u00e9cies<a href=\"#_edn13\" name=\"_ednref13\">[xiii]<\/a>. Ao longo dos anos, eles tamb\u00e9m modificaram substancialmente os ecossistemas onde moravam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O fogo e as obras de engenharia n\u00e3o foram as \u00fanicas influ\u00eancias nos ecossistemas amaz\u00f4nicos. Esses povos tamb\u00e9m domesticaram plantas anuais e perenes e, como na atualidade, importaram plantas ex\u00f3ticas, provavelmente incluindo involuntariamente algumas invasoras de outros biomas. Dessa forma, como demonstra o estudo sobre \u00e1rvores frut\u00edferas nas florestas, eles alteraram a composi\u00e7\u00e3o natural dos ecossistemas nos que se encontravam, introduzindo plantas de outros biomas. Essa altera\u00e7\u00e3o pode ser dr\u00e1stica, como comprovado nas selvas de Yucatan<a href=\"#_edn14\" name=\"_ednref14\">[xiv]<\/a>, o que nem sempre \u00e9 resultado da vontade dos que as introduziram ou propagaram e sim da capacidade de regenera\u00e7\u00e3o natural das \u00e1rvores escolhidas<a href=\"#_edn15\" name=\"_ednref15\">[xv]<\/a>. O estudo mencionado sobre a presen\u00e7a dominante de arvores frut\u00edferas domesticada revela que algo semelhante ocorreu na Amaz\u00f4nia. No caso da pesca, praticamente todos usaram venenos como o timb\u00f3 \u2013 rotenona \u2013 para aumentar o volume de capturas eliminando indiscriminadamente toda a fauna pisc\u00edcola de qualquer esp\u00e9cie ou idade. E, muitos cientistas consideram haver evidencias de que os povos pr\u00e9-colombianos s\u00e3o respons\u00e1veis pela extin\u00e7\u00e3o da megafauna do Pleistoceno<a href=\"#_edn16\" name=\"_ednref16\">[xvi]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Resumindo, os povos pr\u00e9-colombianos fizeram exatamente o mesmo que qualquer outro povo no mundo e, em ess\u00eancia, o mesmo que se faz na atualidade. Desmataram as florestas, uns mais outros menos, usando e abusando do fogo; provocaram eros\u00e3o e perda de fertilidade dos solos, alteraram a drenagem natural, mudaram a composi\u00e7\u00e3o florestal, impactaram na biodiversidade, domesticaram plantas, envenenaram os rios, contaminaram solos e ar, etc. Dito o anterior h\u00e1 que se lembrar de que essas a\u00e7\u00f5es eram necess\u00e1rias para que as sociedades de ent\u00e3o pudessem viver e prosperar. Nada h\u00e1 de errado nelas. N\u00e3o s\u00e3o \u201cboas\u201d ou \u201cpositivas\u201d nem \u201cruins\u201d ou \u201cnegativas\u201d. E muitas das suas obras s\u00e3o not\u00e1veis e at\u00e9 admir\u00e1veis. O que n\u00e3o s\u00e3o \u00e9 sustent\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quest\u00e3o de escala<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O car\u00e1ter de \u201csustent\u00e1vel\u201d \u2013 produzir bens e servi\u00e7os permanentemente sem deteriorar as bases da produ\u00e7\u00e3o ou o ambiente \u2013 depende mais da escala na que se usam os recursos naturais que da qualidade ambiental do uso propriamente dito. Se a destrui\u00e7\u00e3o ou altera\u00e7\u00e3o dos recursos naturais renov\u00e1veis \u00e9 limitada, se mant\u00e9m a capacidade dos ecossistemas de se recuperar e de prover os servi\u00e7os ambientais essenciais. Ou seja, depende da densidade da popula\u00e7\u00e3o humana nos assentamentos. Esta, aparentemente, nunca foi muito grande.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA popula\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia pr\u00e9-colombiana, embora muito maior do que se acreditava, nunca foi significante em propor\u00e7\u00e3o com a sua imensid\u00e3o. Ainda assim, fizeram grandes impactos, pois estes se acumularam ao longo de mil\u00eanios\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As civiliza\u00e7\u00f5es mais avan\u00e7adas da Amaz\u00f4nia reuniam provavelmente de v\u00e1rios milhares at\u00e9 algumas d\u00fazias de milhares de habitantes. Alimentar popula\u00e7\u00f5es dessas dimens\u00f5es implica cultivar plantas anuais, como mandioca, abobora e milho, sobre extens\u00f5es consider\u00e1veis, com todas as suas conhecidas consequ\u00eancias, como o esgotamento de nutrientes e eros\u00e3o do solo. Como dito, as que ocuparam as v\u00e1rzeas fugiram em certa medida desses problemas devido ao aporte de nutrientes pelas crescidas dos rios. Mas, n\u00e3o tem \u201cagrossilvicultura\u201d nem \u201cpomares florestais\u201d capazes de alimentar tais concentra\u00e7\u00f5es humanas. Por isso eles substitu\u00edram a floresta para \u00e1reas relativamente grandes e aplicaram t\u00e9cnicas bem parecidas \u00e0s atuais. E, de fato, as provas dispon\u00edveis mostram que esses foram os povos que mais concentradamente modificaram o entorno natural e tamb\u00e9m os que desapareceram de modo mais dr\u00e1stico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os demais habitantes da Amaz\u00f4nia, possivelmente a maioria deles, estavam agrupados em povoados pequenos, com d\u00fazias ou at\u00e9 poucas centenas de habitantes. Sua alimenta\u00e7\u00e3o dependia de ro\u00e7as ou ch\u00e1caras pequenas e isoladas rodeadas de matas naturais ou pouco alteradas. Isso possibilita alcan\u00e7ar um dos elementos da sustentabilidade porque a floresta vizinha mant\u00e9m um estoque de material gen\u00e9tico que permite a restaura\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o natural na terra abandonada ou \u201cem descanso\u201d. Mas, nem assim se deixa de impactar no ambiente e as diferen\u00e7as biol\u00f3gicas entre uma floresta secund\u00e1ria e uma natural perduram por muito tempo. Os s\u00edtios de terra preta que, na sua maioria cobrem uns 20 hectares cada um, s\u00e3o uma das t\u00e9cnicas usadas que se beneficia do mesmo fato. Outra \u00e9 a agricultura itinerante e prom\u00edscua, ou seja, com muitas esp\u00e9cies diferentes cultivadas no mesmo lugar. N\u00e3o h\u00e1 porque duvidar que essa gente tamb\u00e9m praticasse a tal de <a href=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/dicionario-ambiental\/29073-o-que-e-a-agrossilvicultura\/\">agrossilvicultura<\/a>, t\u00e3o benquista pelos cientistas sociais. Esta assumia as suas modalidades espacial ou estratificada e temporal, ou seja, migrat\u00f3ria com gera\u00e7\u00e3o de capoeiras. Essa \u00e9, pois, a ess\u00eancia da \u201csustentabilidade\u201d das atividades agr\u00edcolas dos antigos amazonenses e tamb\u00e9m dos ind\u00edgenas de hoje. Pequenas popula\u00e7\u00f5es relativamente isoladas sempre em proximidade da floresta. Isso facilitou o inicio da domestica\u00e7\u00e3o de \u00e1rvores como o pequi e de palmeiras como a pupunha e o a\u00e7a\u00ed. O certo \u00e9 que uma das li\u00e7\u00f5es do passado que na atualidade ainda pode ser usada \u2013 embora que n\u00e3o por muito tempo devido ao r\u00e1pido aumento da popula\u00e7\u00e3o \u2013 \u00e9 precisamente aquela que gerou os s\u00edtios de terra preta. Mas ainda n\u00e3o se sabe exatamente como foram feitos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cN\u00e3o h\u00e1 d\u00favida que a Amaz\u00f4nia fez uma importante contribui\u00e7\u00e3o para a agricultura mundial. Por\u00e9m, isso nada tem que ver com uso sustent\u00e1vel dos recursos nem com desenvolvimento sustent\u00e1vel\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os defensores da teoria da sustentabilidade das economias pr\u00e9-colombianas costumam apresentar a domestica\u00e7\u00e3o de plantas como prova disso. Essas plantas e conhecimentos que em grande parte t\u00eam sido mantidos pelos ind\u00edgenas de hoje foram repassados a todos os habitantes da Amaz\u00f4nia desde que esta come\u00e7ou a ser ocupada por povos de outras regi\u00f5es. Ningu\u00e9m desprezou o que de mais valioso os ind\u00edgenas ofereceram. E, muitas d\u00fazias de plantas por eles usadas ou domesticadas est\u00e3o hoje gen\u00e9tica e agronomicamente melhoradas \u2013 camu camu, cupua\u00e7u, castanha, seringa, mandioca, pupunha, guaran\u00e1 \u2013 e s\u00e3o cultivadas sobre extensas \u00e1reas na Amaz\u00f4nia e fora dela. E, por certo, muito mais dos conhecimentos ind\u00edgenas ou dos que ainda est\u00e3o guardados na natureza, poder\u00e3o ser aproveitados. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida que a Amaz\u00f4nia fez uma importante contribui\u00e7\u00e3o para a agricultura mundial. Por\u00e9m, isso nada tem que ver com uso sustent\u00e1vel dos recursos, nem com desenvolvimento sustent\u00e1vel. Soja, caf\u00e9 e palma africana, assim como o gado, que s\u00e3o os vectores atuais do desmatamento massivo da Amaz\u00f4nia, tamb\u00e9m foram domesticados por povos antigos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em conclus\u00e3o, os povos amaz\u00f4nicos fizeram o necess\u00e1rio para viver e se desenvolver. Procuraram solu\u00e7\u00f5es engenhosas umas mais e outras menos impactantes no entorno natural. Suas a\u00e7\u00f5es n\u00e3o foram nem \u201cboas\u201d nem \u201cruins\u201d. O fato \u00e9 que esses povos, qui\u00e7\u00e1 com a exce\u00e7\u00e3o das civiliza\u00e7\u00f5es andino-amaz\u00f4nicas e hidr\u00e1ulicas, se beneficiaram de que as suas popula\u00e7\u00f5es se mantiveram em equil\u00edbrio com os recursos naturais, mantendo os servi\u00e7os ambientais requeridos. Isso \u00e9, em ess\u00eancia, o que demonstram as novas pesquisas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Exemplos aproveit\u00e1veis?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Amaz\u00f4nia se manteve com uma popula\u00e7\u00e3o extremamente reduzida desde o seu \u201cdescobrimento\u201d at\u00e9 meados do s\u00e9culo XX, devido principalmente a dispers\u00e3o de enfermidades de outros continentes. Mas, terminada a Segunda Guerra Mundial, todos os pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul, excetuando Argentina, Paraguai e Chile, iniciaram a verdadeira \u00e9poca da \u201cconquista, ocupa\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o\u201d da Amaz\u00f4nia, construindo estradas que permitiram a coloniza\u00e7\u00e3o de enormes extens\u00f5es de terra, processo que continua at\u00e9 a atualidade. Apenas o Estado de Amazonas no Brasil e o Departamento de Loreto no Peru mant\u00eam espa\u00e7os significativos sem vias de comunica\u00e7\u00e3o terrestre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na atualidade, no lugar de qui\u00e7\u00e1 at\u00e9 oito milh\u00f5es de habitantes munidos de fogo e de ferramentas de primitivas, existem de 35 a 40 milh\u00f5es de habitantes com uma enorme rede de vias de comunica\u00e7\u00e3o e meios de transporte terrestre, aqu\u00e1tica e at\u00e9 a\u00e9rea; equipados com moderna tecnologia, ferramentas de inacredit\u00e1vel capacidade destrutiva e de um arsenal gen\u00e9tico de plantas e animais de todo o planeta \u2013 lembre-se que a pecu\u00e1ria \u00e9 o principal motivo do desmatamento e que caf\u00e9, dend\u00ea e at\u00e9 a banana, dentre tantas outras plantas cultivadas l\u00e1, s\u00e3o ex\u00f3ticas \u2013 para adaptar a Amaz\u00f4nia. E, ademais, hoje existe uma insaci\u00e1vel demanda de bens dos demais habitantes dos pa\u00edses amaz\u00f4nicos e do mundo, que na \u00e9poca pr\u00e9-colombiana se limitava provavelmente a interc\u00e2mbios de pouca monta com as civiliza\u00e7\u00f5es andinas vizinhas. Finalmente, para piorar, os cidad\u00e3os de hoje n\u00e3o renunciaram a usar o fogo, nem a envenenar os rios. Obviamente, o impacto ambiental da atividade humana de hoje \u00e9 incomparavelmente maior, quebrando o equil\u00edbrio e comprometendo definitivamente a sustentabilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse contexto, muito pouco das tecnologias que se atribuem aos povos antigos pode ser aproveit\u00e1vel. As mais promiss\u00f3rias, como os s\u00edtios de terra preta, s\u00e3o validas unicamente sob a premissa de densidade humana muito baixa. A manuten\u00e7\u00e3o da fertilidade em solos melhor drenados, como usado pelas culturas hidr\u00e1ulicas, n\u00e3o se justifica se os adubos minerais e maquinaria pesada est\u00e3o dispon\u00edveis. At\u00e9 a t\u00e3o aplaudida agrossilvicultura para cultivar caf\u00e9 e cacau \u201corg\u00e2nico\u201d, junto com tamb\u00e9m aplaudida agricultura migrat\u00f3ria, s\u00e3o a causa de at\u00e9 80% do desmatamento anual na Amaz\u00f4nia do Peru<a href=\"#_edn17\" name=\"_ednref17\">[xvii]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pelo tanto, a \u00fanica \u201cli\u00e7\u00e3o\u201d realmente aproveit\u00e1vel do passado pr\u00e9-colombiano amaz\u00f4nico, que n\u00e3o tem nada de novo, \u00e9 ter mantido a sua popula\u00e7\u00e3o em equil\u00edbrio com os recursos naturais renov\u00e1veis do seu entorno de modo a permitir a sua regenera\u00e7\u00e3o e a garantir a provis\u00e3o dos servi\u00e7os ambientais indispens\u00e1veis. \u00a0N\u00e3o \u00e9 pouco. Mas, eles conseguiram isso t\u00e3o s\u00f3 porque n\u00e3o puderam evit\u00e1-lo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O \u201cgrande pomar\u201d dos \u00edndios pr\u00e9-colombianos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que a pesquisa que gerou este t\u00edtulo n\u00e3o diz \u00e9 que transformar a Amaz\u00f4nia num pomar \u2013 o que \u00e9 uma interpreta\u00e7\u00e3o exagerada \u2013 seja um impacto ambiental \u201cpositivo\u201d. O impacto evidenciado n\u00e3o \u00e9 qualificado pelos autores no artigo. Mas nas entrevistas, v\u00e1rios deles asseveram implicitamente que foi \u201cpositivo\u201d, o que para eles e elas, equivaleria a sustent\u00e1vel. E, de fato, s\u00e3o muitos os cientistas, em especial os sociais, que consideram que haver existido agricultura e, qui\u00e7\u00e1, \u201cmanejo florestal de frut\u00edferas\u201d na Amaz\u00f4nia, implica automaticamente que esse uso da terra foi ambientalmente adequado, sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos primeiros a tocar no assunto da altera\u00e7\u00e3o da composi\u00e7\u00e3o florestal pelos antigos foi o mexicano A. Gomez-Pompa<a href=\"#_edn18\" name=\"_ednref18\">[xviii]<\/a> que sustentou que a selva do Yucatan, no M\u00e9xico, \u00e9, em grande medida, obra humana. Logo se demostrou que, mais que obra humana, foi consequ\u00eancia inesperada dela e que certamente a selva original era biologicamente muito mais rica que a que os Maias deixaram<a href=\"#_edn19\" name=\"_ednref19\">[xix]<\/a>. O que se est\u00e1 descobrindo na Amaz\u00f4nia \u00e9 essencialmente o mesmo, s\u00f3 que numa escala menor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;A t\u00e3o aplaudida presen\u00e7a de \u00e1rvores domesticadas na Amaz\u00f4nia \u00e9 apenas uma prova a mais da influ\u00eancia humana sobre a diversidade biol\u00f3gica. N\u00e3o \u00e9 uma prova de sustentabilidade\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com rela\u00e7\u00e3o ao estudo da presen\u00e7a e dispers\u00e3o de esp\u00e9cies de \u00e1rvores frut\u00edferas domesticadas na Amaz\u00f4nia, citado nesta nota, \u00e9 pertinente se fazer algumas considera\u00e7\u00f5es. Os pr\u00f3prios autores admitem limita\u00e7\u00f5es metodol\u00f3gicas ao estudo que s\u00e3o ratificadas por outros<a href=\"#_edn20\" name=\"_ednref20\">[xx]<\/a>. Se os lotes de invent\u00e1rio t\u00eam uma distribui\u00e7\u00e3o associada em medida significante a assentamentos humanos, \u00e9 l\u00f3gico que tenham abund\u00e2ncia maior de frut\u00edferas. Tampouco fica claro nesse estudo a medida que foram aproveitados os resultados de invent\u00e1rios florestais feitos para fins de manejo florestal, que abarcam \u00e1reas muito maiores e que n\u00e3o enfatizam em frut\u00edferas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os autores reconhecem a dificuldade de separar a dispers\u00e3o dessas \u00e1rvores que foi feita propositadamente da que foi feita involuntariamente na \u00e9poca pr\u00e9-colombiana e da que foi feita durante os s\u00e9culos posteriores, com presen\u00e7a de mais gente com maior mobilidade, lembrando ademais que muitas dessas frut\u00edferas s\u00e3o de crescimento r\u00e1pido<a href=\"#_edn21\" name=\"_ednref21\">[xxi]<\/a>. E, assim mesmo, os autores parecem ter menosprezado a capacidade de dispers\u00e3o dessas frut\u00edferas pela fauna silvestre que, obviamente, tamb\u00e9m gosta muito delas. Outro tema que n\u00e3o se ressalta suficientemente \u00e9 o da significa\u00e7\u00e3o da \u00e1rea estudada com rela\u00e7\u00e3o a toda a Amaz\u00f4nia. Por exemplo, avalia\u00e7\u00f5es da signific\u00e2ncia a n\u00edvel amaz\u00f4nico do espa\u00e7o ocupado pelos s\u00edtios de terra negra os estima entre menos de um e um pouco mais de tr\u00eas por cento, ou seja, muito pouco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m \u00e9 preciso esclarecer que a densidade de frut\u00edferas nos locais onde s\u00e3o mais densas n\u00e3o faz delas nada parecido a um pomar, como poderia se supor lendo as notas jornal\u00edsticas. E, finalmente, cabe lembrar que os pr\u00f3prios autores reconhecem que nem todas as esp\u00e9cies florestais mencionadas foram \u201cdomesticadas\u201d. Em alguns casos n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida disso, como com o pequi, a pupunha e o urucum, dentre outros. Por\u00e9m, para grande parte das 85 esp\u00e9cies citadas, o que mais existiu foi o inicio do longo processo de domestica\u00e7\u00e3o que, muitas vezes, foi avan\u00e7ado ap\u00f3s a chegada dos europeus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dito isso, mudar volunt\u00e1ria e\/ou involuntariamente a composi\u00e7\u00e3o flor\u00edstica natural da mata amaz\u00f4nica fomentando a presen\u00e7a e\/ou dissemina\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies uteis \u2013 aos humanos \u2013 reduz proporcionalmente a diversidade biol\u00f3gica e altera os nexos tr\u00f3ficos e outros processos naturais, inclusive a sele\u00e7\u00e3o natural. Pode at\u00e9 ser considerada uma \u201cmelhoria\u201d para os interesses humanos de curto e meio prazo, mas, n\u00e3o deixa de ser um importante impacto ambiental. Portanto, a t\u00e3o aplaudida presen\u00e7a de \u00e1rvores domesticadas na Amaz\u00f4nia \u00e9 apenas uma prova a mais de alterca\u00e7\u00f5es humana da diversidade biol\u00f3gica. N\u00e3o \u00e9 uma prova de sustentabilidade<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em conclus\u00e3o <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As pesquisas recentes continuam acumulando provas da ocupa\u00e7\u00e3o e da influ\u00eancia humana na Amaz\u00f4nia pr\u00e9-colombiana. Demonstram que os povos que a ocuparam, tanto as civiliza\u00e7\u00f5es como outros de menor desenvolvimento relativo, tiveram uns mais outros menos, grande impacto ambiental. Como os demais povos da sua \u00e9poca, tiveram que desenvolver agricultura para alimentar suas popula\u00e7\u00f5es e para isso usaram e at\u00e9 abusaram do fogo, a principal ferramenta dispon\u00edvel. E, obviamente, domesticaram e importaram plantas e utilizaram muitas a mais e, alguns fizeram obras de engenharia not\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Excetuando o fato de que a sua popula\u00e7\u00e3o se manteve relativamente baixa e em equil\u00edbrio com os recursos naturais renov\u00e1veis, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma evidencia de que suas atividades foram mais sustent\u00e1veis que as de outros povos de outras regi\u00f5es nem que na atualidade. Ao contrario, apesar dos quatro s\u00e9culos de restaura\u00e7\u00e3o natural entre a chegada dos europeus e o come\u00e7o da grande destrui\u00e7\u00e3o moderna, os rastros ambientais dos antigos amazonenses s\u00e3o onipresentes. Por tanto, pouco do que fizeram pode servir de li\u00e7\u00e3o na atualidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cOs promotores do conceito de que os antigos amazonenses praticavam desenvolvimento sustent\u00e1vel s\u00e3o os mesmos que est\u00e3o demonstrando o contrario&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, os povos pr\u00e9-colombianos amaz\u00f4nicos, como outros, contribu\u00edram muito ao acervo humano e brindaram plantas domesticadas valiosas assim como muitos conhecimentos. E alguns deles, tamb\u00e9m como outros povos de outras latitudes fizeram, criaram suas pr\u00f3prias reservas naturais na forma de territ\u00f3rios sagrados vedados a qualquer uso humano exceto a contempla\u00e7\u00e3o, verdadeiros precursores das \u00e1reas naturais protegidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta nota s\u00f3 se pretendeu assinalar que as descobertas recentes confirmam que os antigos amazonenses n\u00e3o usaram os recursos naturais de uma forma mais sensata que na atualidade. Os pr\u00f3prios defensores do car\u00e1ter \u201csustent\u00e1vel\u201d do uso da terra pelas antigas civiliza\u00e7\u00f5es e povos amaz\u00f4nicos s\u00e3o em geral os mesmos que acham que os ind\u00edgenas atuais o praticam e, curiosamente, tamb\u00e9m s\u00e3o os que est\u00e3o demonstrando o contr\u00e1rio. Como amplamente discutido por Olmos<a href=\"#_edn22\" name=\"_ednref22\">[xxii]<\/a>, a mensagem de alguns desses intelectuais se traduz em que todas as altera\u00e7\u00f5es da natureza feitas por ind\u00edgenas e povos tradicionais foram ou s\u00e3o ben\u00e9ficas para a natureza enquanto que as mesmas modifica\u00e7\u00f5es feitas por n\u00e3o ind\u00edgenas s\u00e3o prejudiciais. \u00a0Mas, para a natureza n\u00e3o importa quem faz o dano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bibliografia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\">[i]<\/a> Watling, J. <em>et al<\/em>\u00a0 2016. <a href=\"http:\/\/www.pnas.org\/content\/114\/8\/1868.abstract\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Impact of pre-Columbian \u201cgeoglyph\u201d builders on Amazonian forests<\/a>.\u00a0Proceedings of the National Academy of Sciences vol. 114 no. 8: 1868\u20131873<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref2\" name=\"_edn2\">[ii]<\/a> Levis <em>et al<\/em>, 2017\u00a0 Persistent effects of pre-Columbian plant domestication on Amazonian forest composition\u00a0 Science 355, 925\u201393<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref3\" name=\"_edn3\">[iii]<\/a>\u00a0<a href=\"http:\/\/agencia.fapesp.br\/pesquisa_com_geoglifos_indica_que_amazonia_teve_uso_sustentavel_ha_%20milhares_de_anos\/24862\/\">http:\/\/agencia.fapesp.br\/pesquisa_com_geoglifos_indica_que_amazonia_teve_uso_sustentavel_ha_ milhares_de_anos\/24862\/<\/a> e <a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2017\/03\/1869617-misterio-de-desenhos-geometricos-da-amazonia-e-decifrado.shtml\">http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2017\/03\/1869617-misterio-de-desenhos-geometricos-da-amazonia-e-decifrado.shtml<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref4\" name=\"_edn4\">[iv]<\/a> <a href=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/noticias\/o-grande-pomar-dos-indios-pre-colombianos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">http:\/\/www.oeco.org.br\/noticias\/o-grande-pomar-dos-indios-pre-colombianos\/<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref5\" name=\"_edn5\">[v]<\/a> Lumbreras, L.\u00a0 1981 Arqueolog\u00eda de la Am\u00e9rica Andina Ed. Milla Batres, Lima 278p.; Kauffmann, F.\u00a0 1980 \u201cLos pinchudos\u201d: Exploraci\u00f3n de ruinas intactas en la Selva\u00a0 Bolet\u00edn de Lima 7; Kauffmann, F.\u00a0 1986 Sarc\u00f3fagos pre-incas en los Andes Amaz\u00f3nicos peruanos\u00a0 Lima, Kuntur 1: 4-9<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref6\" name=\"_edn6\">[vi]<\/a> Denevan, W. M.\u00a0 1970\u00a0 Aboriginal drained fields in the Americas\u00a0 Science\u00a0 169:647-654;\u00a0 Denevan, W. M.\u00a0 1976\u00a0 The aboriginal population of Amazonia\u00a0\u00a0 <em>In<\/em> The Native Population of the Americas in 1492\u00a0 (Ed W. Denevan) pp 205-234; Denevan, W.M.\u00a0 1992\u00a0 The Pristine Myth: The Landscape of the Americas in 1492<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref7\" name=\"_edn7\">[vii]<\/a> Del Busto, J. A.\u00a0 1980 El descubrimiento del Amazonas\u00a0 Lima, Studium\u00a0 39p.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref8\" name=\"_edn8\">[viii]<\/a> <a href=\"http:\/\/www.css.cornell.edu\/faculty\/lehmann\/research\/terra%20preta\/terrapretamain.html\">http:\/\/www.css.cornell.edu\/faculty\/lehmann\/research\/terra%20preta\/terrapretamain.html<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref9\" name=\"_edn9\">[ix]<\/a> Brack. A.\u00a0\u00a0 1999\u00a0 Diccionario Enciclop\u00e9dico de Plantas \u00datiles del Per\u00fa\u00a0\u00a0 Lima, UNDP 550p.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref10\" name=\"_edn10\">[x]<\/a> Harris, D. R.\u00a0 1972\u00a0 The origins of agriculture in the tropics American Scientist\u00a0 60: 180-193<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref11\" name=\"_edn11\">[xi]<\/a> Plowman,T.\u00a0 1984 The origin, evolution and diffusion of coca, Erythroxylon spp<em> In<\/em> South and Central America\u00a0 in Precolombian Plan Migration (d. Stone ed.)\u00a0 Peabody Museum of Archeology and Ethnology 76:125-163<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref12\" name=\"_edn12\">[xii]<\/a> Diammond, J.\u00a0 2005\u00a0 Collapse\u00a0 Pinguin Books<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref13\" name=\"_edn13\">[xiii]<\/a>\u00a0\u00a0 Comunicaci\u00f3n personal del bot\u00e1nico Octavio Velarde (1962) y mencionado por Denevan, W. M. 1971\u00a0 Campa subsistence in the Gran Pajonal, Eastern Peru The Geographical review LXI(4): 496-518<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref14\" name=\"_edn14\">[xiv]<\/a> G\u00f3mez-Pompa, A.. 1987\u00a0 On Maya Silviculture\u00a0 Estudios Mexicanos 3(1): 1-17<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref15\" name=\"_edn15\">[xv]<\/a> Rico-Gyaym V. and J. Garc\u00eda Franco\u00a0 1991\u00a0 J. Ethnobiol. <a href=\"https:\/\/ethnobiology.org\/sites\/default\/files\/pdfs\/JoE\/11-1\/Rico-Gray.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">The Maya and the vegetation of the Yucatan peninsula<\/a>. 11(1):135-142.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref16\" name=\"_edn16\">[xvi]<\/a> Barnosky, A. D. 2004.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/profile\/Scott_Wing\/publication\/8256905_Assessing_the_Causes_of_Late_Pleistocene_Extinctions_on_the_Continents\/links\/0912f50c8cfeae35fc000000.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Assessing the causes of late Pleistocene extinctions on the continents<\/a>. Science 305: 70-75.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref17\" name=\"_edn17\">[xvii]<\/a> MAAP Synthesis #2: Patterns and Drivers of Deforestation in the Peruvian Amazon (<a href=\"http:\/\/maaproject.org\/2017\/maap-synthesis2\/\">http:\/\/maaproject.org\/2017\/maap-synthesis2\/<\/a>); <a href=\"http:\/\/af.reuters.com\/article\/idAFL8N1G75S2\">http:\/\/af.reuters.com\/article\/idAFL8N1G75S2<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref18\" name=\"_edn18\">[xviii]<\/a> Gomez-Pompa, A. and A. Kauss\u00a0 1992\u00a0 Taming the wildernesss myth\u00a0 Bioscience 42(4)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref19\" name=\"_edn19\">[xix]<\/a> Rico-Gyaym V and J. Garc\u00eda Franco\u00a0 1991\u00a0 J. Ethnobiol. <a href=\"https:\/\/ethnobiology.org\/sites\/default\/files\/pdfs\/JoE\/11-1\/Rico-Gray.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">The Maya and the vegetation of the Yucatan peninsula<\/a>. 11(1):135-142.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref20\" name=\"_edn20\">[xx]<\/a> McMichael, C. et al\u00a0\u00a0 2017. <a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/publication\/312050530_Ancient_human_disturbances_may_be_skewing_our_understanding_of_Amazonian_forests\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Ancient human disturbances may be skewing our understanding of Amazonian forests<\/a>. Florida Institute of Technology Proceedings of the National Academy of Sciences.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref21\" name=\"_edn21\">[xxi]<\/a> Villachica, H.\u00a0 1996\u00a0 Frutales e Hortalizas Promisorias de la Amazon\u00eda\u00a0 Lima, Tratado Cooperaci\u00f3n Amaz\u00f3nica \u00a0366p.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref22\" name=\"_edn22\">[xxii]<\/a> Olmos, F. \u00a02009 . <a href=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/colunas\/fabio-olmos\/21088-populacoes-tradicionais-e-a-biodiversidade\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Popula\u00e7\u00f5es tradicionais e a biodiversidade<\/a>. \u00a0((o))eco, \u00a0segunda-feira, 02 mar\u00e7o 2009.<br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/colunas\/marc-dourojeanni\/licoes-das-ocupacoes-humanas-no-passado-amazonico\/\">Fonte do Texto <\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Pesquisa com geoglifos indica que Amaz\u00f4nia teve uso sustent\u00e1vel h\u00e1 milhares de anos. 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