Ocorrência de cetáceos no bloco 5, durante a actividade de levantamento de dados sísmicos 3-d a bordo do m/v Geco Emerald, Vaalco Angola (Kwanza), Inc.

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RESUMO

O pré-requisito para a exploração de petróleo é Estudo de Impacte Ambiental. Com base no EIA, é recomendado, o uso independente de Observadores de Mamíferos Marinhos, tendo em conta as directrizes do JNCC (Concelho Conjunto para Conservação da Natureza), para a minimização de distúrbios nos mamíferos marinhos, em estudos sísmicos. Abril 1998, versão 1. Resultado de Monitoramento de Cetáceos no Bloco 5 VAALCO Angola (Kwanza), Inc., offshore Bacia do Kwanza, durante actividade de levantamento de dados sísmicos a bordo do M/V Geco Emerald. Totalizou-se 300 horas de esforço e foram registados 51 áreas de avistagem, durante 25 dias, de 23 de Setembro a 17 de Outubro de 2008, conforme o “Guia de Monitoramento da Fauna Marinha em Actividade de Aquisição de Dados Sísmicos” (AEC, 2007). As observações foram realizadas durante o período diurno a partir das “asas” externas e ponte do comando do navio sísmico. A equipe foi composta de dois observadores que se revezava em turnos, utilizando binóculos (MINOLTA® 7×50 e FUJINON® 7×50 ambos com retículos), os dados colectados foram anotados em planilhas padrão. A identificação das espécies baseou-se em características morfológicas, ecológicas e comportamentais conforme o guia de identificação e utilizou-se um critério conservativo para a classificação taxonômica dos animais. A subordem Odontoceti foi mais representativa com maior incidência para a espécie Clymene Dolphin, vulgarmente conhecida como Stenella Clymene.

1. INTRODUÇÃO

O Monitoramento, registro e interpretação das observações dos mamíferos marinhos é uma ferramenta para a conservação das espécies. Conhecendo-se o comportamento natural e identificando-se mudanças destes comportamentos torna-se possível avaliar o quanto à poluição sonora tem impacto na vida do animal (Baptista &Gaunt, 1997).

Os dados aqui apresentados foram colectados durante a actividade de prospecção sísmica no Bloco 5, offshore Bacia do Kwanza da Empresa VAALCO Angola (Kwanza), Inc. a bordo do M/V Geco Emerald. Num período de 25 dias, foram registradas as seguintes espécies e divididos nas Subordens Odontoceti (Baleia com dentes e Golfinhos) e Misticeti (Baleia com barba) e relacionadas à presença dos animais dentro da zona de segurança, resultando na paralisação das fontes sonoras conforme o procedimento padrão exigido pelo MINPET.

2. MATERIAL E MÉTODOS

O Bloco 5 esta situado entre os 08º 16.0`S, 013º 00.9`E e 08º 37.9`S, 013º 12.7`E, com o seu centro a cerca de 12 km da Barra do Dande. Entre a Enseada da Capulo 46 km a norte de Luanda, e a Ponta Spilinberta (Barra do Dande), a 35 km a Norte de Luanda.

imagem1

Figura 1. Mapa da área de Estudo Bloco 5 VAALCO Angola (Kwanza), Inc.

Os dados foram colectados a bordo do M/V Geco Emerald, entre os dias 23 de Setembro à 17 de Outubro de 2008, com média de 12 horas de esforço diário de observação, totalizando 300 horas nestes 25 dias.

As observações seguiram os padrões pré-estabelecidos pelo “Guia de Monitoramento da Biota Marinha em Actividades de Aquisição de Dados Sísmicos” (AEC, 2007).

Os observadores estavam localizados na ponte de comando ou nas asas do navio sísmico, mantendo sempre em posição, durante o período de uma hora e pausa de 30 minutos, para a amostragem. Foram utilizados binóculos (MINOLTA® 7×50 e FUJINON® 7×50 ambos com retículos). Os dados colectados foram anotados em planilhas padrão. A identificação das espécies baseou-se em características morfológicas, ecológicas e comportamentais conforme guias de identificação e utilizou-se um critério conservativo para classificação taxionómica dos animais.

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os 25 dias de monitoramento da fauna marinha resultaram 840 avistagens de cetáceos, totalizando 300 horas e registados 51 áreas de avistagem.

Os dados foram, a subordem Ondontoceti, que possuem dentes e se alimentam de peixes e lulas foi mais representativa com 94% (n=790) das observações é a Subordem Mysticeti, são caracterizadas pelas barbas de baleia, que são estruturas parecidas com peneiras localizadas na parte superior da boca e são feitas de queratina, obteve 6% (n=50) do total das avistagens. Na Tabela 1 estão os nomes científicos e o nome vulgar das espécies de cetáceos observado.


Sub

Ordem

Nome Cientifico

Nome Vulgar

Sites (áreas)

Nº de Animais

Mysticety


Baleias c/barbas




Humpback whale

Megaptera novaeangliae

38

50



















Total Mysticety



38

50











Odontoceti


Baleias c/dentes




Common Dolphin

Delphinus Delphis

4

150


Clymene Dolphin

Stenella Clymene

7

500


Long-finned Pilot Whale

Globicephala melas

5

30


Short-finned Pilot Whale

Globicephala macrohynchus

2

10


Striped Dolphin

Stenella coeruleoalba

5

100

Total Odontoceti



23

790

Total



51

840

Tab.1 – Cetáceos observados durante o monitoramento da fauna marinha no Bloco 5, VAALCO Angola (Kwanza), Inc.


imagem2

Tab.2 – Espécies de Cetáceos registados em percentagem no Bloco 5, VAALCO Angola (Kwanza), Inc.

4. CONCLUSÕES

O monitoramento da fauna marinha a bordo de navios sísmicos é uma ferramenta de grande importância para a pesquisa científica, principalmente por criar oportunidades de responder diversas questões acerca da fauna em áreas distintas da costa, como por exemplo, a sazonalidade, distribuição, tamanho de grupo e na determinação de áreas de sensibilidade ambiental.

O estudo do comportamento destes animais ainda é muito limitado, já que na maioria das vezes e, principalmente, no caso de observadores de bordo, a amostragem dos mesmos só é feita acima da superfície da água. Por isso, ainda é muito precoce tentar estabelecer os comportamentos destes animais como indicadores ambientais referentes aos impactos que a sísmica pode ou não causar. Mesmo assim, ainda que limitadas, estas descrições e observações são uma grande valia, pois formam um conjunto de dados que podem ajudar em determinadas tomadas de decisões.

Dentre as observações de comportamento realizadas durante a avistagem de cetáceos, destaca-se os resultados referentes a distância dos animais em relação a fonte sonora e seu status de funcionamento ligado ou desligado. Durante o monitoramento, os cetáceos evitaram-se aproximar do navio sísmico quando os “air guns” estão em funcionamento, uma vez que somente em 6 avistagens os cetáceos se aproximaram da área de segurança durante o funcionamento da fonte sísmica, representando 5% do total de 112 avistagens.

Os cetáceos observados durante o funcionamento da fonte sísmica ocorreram predominantemente a mais de 500m do navio sísmico, indicando que os animais estavam presentes, não havendo abandono de área, mais de grupos para evitaram ou se mantiveram afastados da fonte sonora.

5. REFERÊNCIAS

AEC, Angola Environmental Consulting, Lda. 2007. Guia de Monitoramento da Biota Marinha em Actividades de Aquisição de Dados Sísmicos.

BRINCA, P.; Ocorrência de Cetáceos no Bloco 23, Durante a Actividade de Levantamento de Dados Sísmicos 3-D a Bordo do M/V Geco Emerald, MAERSK Angola. 2008.

BRINCA, P.; Ocorrência de Cetáceos no Bloco 8, Durante a Actividade de Levantamento de Dados Sísmicos 3-D a Bordo do M/V Geco Emerald, MAERSK Angola. 2008.

CAPFISH – Capricorn Fisheries Monitoring. Observer Training Notes. 2007.

ERBER, C.; VENTURTTI, A. N. C; FERNANDES, M; ALENCASTRO, P. de M. R., FORTES, R; BADUY, M. B; RIBEIRO., L & MOREIRA., S. C. Ocorrência de Cetáceos no Bloco BMS 42 (Bacia de Santos) durante a actividade de levantamento de dados sísmico a bordo do M/V Ramform Challenger – PGS.

Guidelines for Minimizing Acoustic Disturbance to Marine Mammals From Seismic Surveys. April 2004 – JNCC.

KETOS ECOLOGY, Cetacean Research 2008.

Stone, C.J. (2003) The Effects of Seismic Activity on Marine Mammals in UK Waters, 1998-2000 JNCC Report nº 323.

Whales, Dolphins and Porpoises de Mark Carwardine, publicado por Dorling Kindersley, 2000. ISBN 0-7513-2781-6. Guia Introdutório aos Cetáceos.

WHALES, DOLPNIS AND SEALS. A Field Guide to the Marine Mammals of the World. Hadoram Shirihai and Brett Jarrett, 2006.

Autor: Paulo Domingos Brinca – Angola

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