Ah! Como eu gostaria…

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Autor: Walter Antonio Pereira

A Copa do Mundo, que terminou com a vitória dos italianos, é realmente um evento invejável. São 207 países (mais que a ONU que possui 191 membros) disputando um campeonato realmente global, praticado em todos os países, por todas as raças e religiões.
Mas porque estou “morrendo de inveja”?
Primeiro, a Copa do Mundo é um evento no qual todos conhecem seus times e o que eles fizeram para chegar até lá. Todo mundo sabe quem fez um gol e como e quando ele foi feito, conhece quem perdeu a oportunidade de fazê-lo e lembra quem conseguiu evitar um gol de pênalti.
Ah! Como eu gostaria que as pessoas tivessem competições desse tipo, competindo pela melhor economia de água, uma família tentando superar a família vizinha pelo melhor tratamento de seu esgoto, uma cidade disputando a melhor educação ambiental com a cidade mais próxima, o governador entregando a taça de cidade mais limpa no final do ano.
Segundo, a Copa do Mundo é um evento sobre o qual todo o planeta adora conversar. Discutir sobre o que seu time fez de certo e o que podia ter sido feito diferente, sem mencionar o que o time adversário fez ou deixou de fazer. Pessoas sentadas em bares em qualquer lugar, de Uruguaiana a Quixeramobim, debatem intensamente os melhores momentos dos jogos, revelam um profundo conhecimento não só de seus times, mas dos de outros países e falam no assunto tanto com clareza quanto com paixão. Normalmente, adolescentes calados tornam-se, de repente, eloqüentes, confiantes e incríveis especialistas em análise.
Ah! Como eu gostaria que tivéssemos mais desse tipo de conversa país afora. Cidadãos engajados na discussão de como sua rua, sua vila, sua cidade poderia ter os seus rios e lagoas despoluídas, de como melhorar o saneamento, de como o consumo desenfreado e inconsciente provoca montanhas de lixo e como o desmatamento assassino acaba com toda a biodiversidade local por décadas.
Terceiro, a Copa do Mundo é um evento que acontece num campo igualitário, onde todos os países têm a chance de participar em termos eqüitativos. Somente duas qualidades importam nesse jogo: talento e trabalho em equipe.
Ah! Como eu gostaria que essa homogeneidade acontecesse com todos os seres vivos, que todos discutissem maneiras de se acabar com os sacrifícios dos animais, como acontece com os Ursos na China, com os frangos nas granjas, com os cachorros que são sacrificados quando recolhidos na rua, com os bovinos que são cruelmente assassinados por milhares de matadouros por esse país afora. Todos os seres vivos tendo chances reais de viver uma vida sem serem torturados, engordados para a alimentação dos humanos que podem pagar.
Quarto, a Copa do Mundo é um evento que ilustra bem os benefícios da interação entre pessoas e países. Cada vez mais seleções nacionais contratam técnicos e jogadores de outros países aonde acontecem às trocas culturais e todos crescem com essa experiência.
Ah! Como eu gostaria que fosse igualmente simples para todos enxergarem que a Educação é a única saída que temos para salvar nossa casa, nosso planeta, que as pessoas precisam aprender a só ser e não a só ter. Que a falta de conhecimento das medidas saneadoras e ambientais está acabando com nossa água, nossas florestas, nosso clima, nossa vida, que a competitividade desenfreada motivada pelo capitalismo, torna os bens naturais acessíveis a muito poucos.
Ah! Como eu gostaria que os gols marcados fosse também menos queimadas, menos poluição atmosférica, menos diferenças sociais, mais justiça para todos, mais educação de qualidade e acessível para a população carente, mais economia de água potável, mais tratamento de efluentes, mais consumo com consciência, menos uso de agrotóxico na agricultura, menos degradação ambiental, mais respeito à vida dos animais.
Ah! Como eu gostaria de ganhar a Copa do Mundo pela conservação da Vida.

(o artigo acima foi inspirado em alguns trechos copiados do artigo de Kofi Annan, secretário geral da ONU)

Autor: Walter Antonio Pereira

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