Pesca Continental

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A pesca continental possui uma grande importância em países que contam com águas continentais distribuídas em grandes lagos ou bacias hidrográficas. Nos lagos de grande tamanho (grandes lagos norte-americanos, grandes lagos africanos, o mar Cáspio, o lago Baikal, etc.), a pesca é muito parecida com a pesca no mar, e a forma de gerenciá-la também. Nas grandes bacias fluviais, especialmente nas tropicais (Amazonas, Orinoco, Zambeze, Congo, Ganges, etc.), a pesca depende do nível das águas do rio. Quando chega a época das chuvas estes grandes rios transbordam e inundam sua planície aluvial, ocupando enormes extensões onde os peixes vão se reproduzir. Ao chegar a época seca, as águas baixam voltando ao seu leito e deixando para trás inúmeras lagoas e açudes repletos de animais; esta é a época mais proveitosa para a pesca nestes rios.

Na Espanha não existem nem grandes lagos nem grandes rios. A pesca continental, além disso, perdeu seu valor econômico ou de sobrevivência, embora tenha crescido como atividade recreativa.pesca continental

O regulamento da pesca continental se estabeleceu, até agora, conforme dita a experiência e de acordo com o expresso na legislação (tamanho mínimo capturável, quotas de captura, períodos hábeis de pesca, iscas proibidas e permitidas, etc.). Os problemas de contaminação, os gerados pela construção de represas, a erosão das margens e o reflorestamento sobre as bacias hidrográficas, além dos problemas das áreas úmidas, têm demonstrado que o regulamento da pesca deve estar baseado em fundamentos científicos e não unicamente econômicos, ou a partir do interesse de alguns países.

Os planos de regulamentação e aproveitamento da pesca continental na Espanha são bem recentes, especialmente se comparados com os cinegéticos. A Lei 4/1989, de 27 de março, já indicava a necessidade de se redigir planos de regulamentação e aproveitamento pesqueiro, os quais teriam que ser aplicados em todas as Comunidades Autônomas suscetíveis de explorarem a pesca continental.

As características dos rios peninsulares e de sua população ictíica permitem dividi-los em trechos, ou zonas, costumeiramente utilizados na gestão da pesca. Os rios ou trechos de rios de montanha coincidem com a região da truta, sendo a zona mais valiosa para a pesca esportiva; as zonas médias e parte das zonas baixas correspondem à região dos ciprinídeos, menos valiosos do ponto de vista pesqueiro, e finalmente, nas zonas baixas terminais dos rios e nos estuários já é a região dos peixes estuarinos. Este zoneamento de espécies de peixes é provocado pelas diferentes condições ambientais presentes em cada trecho dos rios. As trutas vivem nos trechos de montanha porque ali encontram as melhores condições para viver: baixa temperatura da água, limpa e transparente, e um elevado conteúdo de oxigênio dissolvido.

Para a correta gestão das populações de peixes continentais suscetíveis de exploração pesqueira, é imprescindível a realização de amostragens para conhecimento dos seguintes aspectos das populações:

– Estabelecer uma área de amostragem onde se possa extrair uma amostra representativa da população.

– Determinar o método de captura e a data das amostragens.

– Realizar a amostragem.

– Determinar tamanho, peso e sexo.

– Se possível, determinar o estado de maturação sexual (através da avaliação do estado de maturação das gônadas) de cada indivíduo da amostra.

– Recolher as estruturas utilizadas para determinar a idade dos exemplares da amostra (escamas, otólitos, opérculos, espinhas duras das barbatanas, etc.) e determinar sua idade (preferencialmente utiliza-se mais de um método de determinação).

– Estabelecer o número de indivíduos da população, a densidade e a biomassa.

– Calcular os indicadores do crescimento e mortalidade.

– Calcular a produção e o quociente produção/biomassa (quociente P/B).

Para isso, utiliza-se técnicas de amostragem diferentes das empregadas na pesca marinha ou de grandes lagos. Nestas, a amostragem necessária para o conhecimento das populações é dada pelas próprias capturas pesqueiras comerciais, ou, no caso de serem realizadas campanhas de pesquisa, utiliza-se barcos e aparelhos similares aos comerciais.

Nos rios pequenos, ao contrário, são outros os métodos utilizados para a amostragem de populações de peixes: pesca elétrica, redes, armadilhas de rede (como cestos de pesca e tarrafa) e inclusive por som. O método mais extenso é o da pesca elétrica: baseia-se em criar um campo elétrico na água o suficientemente efetivo para provocar um atordoamento nos peixes (conhecido como eletronarcose); uma vez atordoados, são facilmente capturados para coleta dos dados pertinentes. Para a criação deste campo elétrico utiliza-se um gerador de corrente contínua (com uma diferença de potencial entre 100 e 300 volts e intensidade entre 1 e 3 ampères) cujo cátodo é fixado no fundo e o ânodo introduzido na área escolhida para extrair a amostra.

Com os dados obtidos na amostragem e outras considerações (de tipo econômica, social, estratégica, etc.) pode-se começar a organizar um programa ou plano de pesca. Para isso, é necessário ter presente os seguintes parâmetros:

– Tamanhos mínimos permitidos para a pesca.

– Trechos de águas continentais: estabelecer zonas de refúgio, zonas de aproveitamento, etc.

– Modalidades de pesca a utilizar.

– Quotas de captura permitidas.

– Pressão de pesca permitida.

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